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"Longevidade deve entrar na conta da aposentadoria"

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Fonte: Valor Econômico

Por Danylo Martins | Para o Valor, de São Paulo

A combinação entre aumento da expectativa de vida e menor taxa de natalidade sinaliza um cenário de significativa inversão da pirâmide social para os próximos anos. A esperança de vida ao nascer do brasileiro atingiu 75,2 anos em 2014, tanto para homens quanto para mulheres, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no início de dezembro. Houve aumento em relação à Tábua Completa da Mortalidade 2013, que indicava expectativa de vida de 74,9 anos. Para se ter uma ideia, em 2003, a esperança de vida no país era de 71 anos.

Há duas mudanças importantes que, juntas, conduzem a uma perspectiva de elevação expressiva da relação entre o número de aposentados e o da população ativa, de acordo com o economista Fabio Giambiagi, especialista em finanças públicas e previdência. “A taxa de crescimento da população economicamente ativa está em clara rota de declínio e a taxa de crescimento da população idosa caminha para ser da ordem de 4%”, aponta.

Se hoje os idosos representam 12,5% da população brasileira, esse percentual vai praticamente triplicar até 2050, indica Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento, da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado neste ano.

As seguradoras têm adequado seus planos nos últimos anos para acompanhar o impacto da longevidade sobre a previdência privada complementar. Hoje, boa parte do mercado já trabalha com a BR-EMS, tábua atuarial atualizada a cada cinco anos, destaca Maristela Gorayb, diretora de previdência e vida resgatável da Mapfre Previdência, que possui R$ 2,73 bilhões de ativos sob gestão e 64 mil clientes de planos de previdência.

Além da revisão técnica, o trabalho dos gestores de previdência complementar inclui apresentar aos investidores os impactos decorrentes da maior expectativa de vida sobre o cálculo da aposentadoria.

Para dar esse alerta, a Mapfre aposta principalmente em ações nas empresas que oferecem planos de previdência para funcionários, como um plantão para tirar dúvidas. “Temos de conscientizar as pessoas sobre como mitigar o risco de se viver mais, fazendo do tempo o melhor amigo. É preciso acumular mais recursos para manter o padrão de vida”, afirma Maristela.

Para garantir uma velhice mais tranquila, não basta seguir a regra básica de investir um montante maior no início de carreira, período em que a capacidade de poupança tende a ser mais elevada. Sem revisar os cálculos periodicamente, lá na frente a conta pode não fechar. “Deve-se estimar o custo de vida no futuro. Hoje, as pessoas costumam calcular quanto de economia mensal cabe no orçamento, não quanto vão precisar na hora da aposentadoria”, destaca o especialista em previdência Rogério Araújo, da TGL Consultoria.

A Brasilprev busca alertar seus clientes sobre a importância de revisitar o plano de previdência não só por meio do aumento dos aportes mensais, mas também pela revisão dos ativos que compõem o fundo. “Se a pessoa fizer um ajuste da carteira de investimentos ano a ano, a escada para subir rumo à aposentadoria será muito mais suave”, afirma Sandro Bonfim, superintendente de produto da Brasilprev, que gere R$ 139,6 bilhões em ativos e tem uma carteira com mais de 1,8 milhão de clientes.

Para ajudar nessa realocação dos ativos, a seguradora oferece fundos por meio do conceito de ciclos de vida. Quanto mais distante está a aposentadoria, mais arrojada é a composição da cesta, com maior fatia em aplicações de renda variável, cujo percentual vai diminuindo até a fase de aposentaria. “Nesse formato, é uma decisão a menos que a pessoa precisa tomar porque funciona como piloto automático”, afirma Bonfim.

Com R$ 9 bilhões em ativos sob gestão de uma base de 136 mil clientes de planos de previdência privada, a Icatu Seguros aposta em educação financeira, com cursos e simuladores on-line, para ajudar os investidores a equacionar maior tempo de vida com uma reserva financeira suficiente. “Em vez de apontar apenas quanto renderá todo o dinheiro investido, focamos em mostrar que a pessoa vai viver, por exemplo, até os cem anos com uma renda previsível”, afirma Felipe Bottino, gerente de produtos de previdência da Icatu Seguros.

Embora sejam traçados diferentes cenários, não dá para descuidar. “Assim como a pessoa vai ao dentista a cada seis meses ou 1 ano, é preciso revisitar essa projeção para enxergar se será necessário contribuir mais mensalmente”, reforça Bottino.

A necessidade de formar um colchão financeiro mais polpudo para a aposentadoria está associada não só a uma vida mais longeva, mas também ao aumento das despesas com saúde na velhice. “A solução é a pessoa se precaver com uma poupança suficiente”, diz Andrea Levy, assessor da presidência e especialista em longevidade da Mongeral Aegon. Guardar o máximo possível enquanto estiver no auge da trajetória profissional é uma estratégia fundamental, afirma Sandro Bonfim, da Brasilprev. “Já ao se aposentar, o grande desafio é usar com parcimônia o montante acumulado”, destaca.

Manter em dia as contribuições ao INSS, mesmo com as previsões nada otimistas para a sustentabilidade da Previdência Social nas próximas décadas, também deve integrar o planejamento para a aposentadoria, segundo os especialistas. “O segurado tem direito a uma série de benefícios, por exemplo, auxílio-doença, auxílio-acidente e salário-maternidade”, explica a advogada Caroline Caires Galvez, do escritório Innocenti Advogados Associados.